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Sim, Engenharia Mecânica é coisa de mulher…

Com dissertação aprovada com nota 9,5, Hellen Pires tornou-se a primeira mestra formada pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) São Luís Campus Monte Castelo.

A defesa da primeira dissertação do programa aconteceu na quarta-feira (12/05), de forma virtual, pelo google meet, diante de uma banca formada por seu orientador, professor Antonio Santos Araújo e pelos professores Jean Robert Pereira, Mauro Araújo Medeiros e Adilton Cunha.

O mestrado acadêmico em Engenharia Mecânica ofertado pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA) – Campus Monte Castelo, em São Luís, iniciou as suas atividades há dois anos. O programa é realizado em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

Hellen desenvolveu o seu projeto na área de processos de Fabricação Mecânica, com o tema de Usinabilidade do aço AISI 316 com uso de óleos vegetais como fluidos de corte. Os objetivos da pesquisa carregam uma característica socioambiental que visa buscar alterações tecnológicas no processo através de estudo de parâmetros de usinagem mais adequados que possam propiciar à indústria a possibilidade de adequar seus processos ao meio, minimizando os impactos gerados.

“O trabalho apresenta resultados satisfatórios com o uso de fluidos vegetais com redução do impacto sobre a saúde do operador” afirmou Hellen. “A indústria pouco utiliza métodos alternativos e mais verdes no processo”, prosseguiu.

“Essa foi uma das experiências mais enriquecedoras que já vivi, pois todo o conhecimento e aprendizado adquiridos nesses dois anos permitiram que eu me desenvolvesse ainda mais na minha área de atuação como engenheira mecânica”, avaliou Hellen.

“A sensação é de dever cumprido”, prosseguiu. “Saber que consegui contribuir com minha pesquisa para ampliar ou ainda criar novos conhecimentos relevantes para o meio acadêmico e industrial é de grande valia”, ressaltou.

“Trabalho muito bom, muito claro e com rigor científico”, analisou Mauro Medeiros. “Pesquisa muito interessante sobre os óleos alternativos com a redução de custos e do impacto ambiental”, avaliou Adilton Cunha. “O trabalho apresenta um processo de usinagem limpa, em que os resíduos são mínimos e biodegradáveis”, ponderou o orientador Antonio Santos.

A defesa foi prestigiada, ainda, pelo pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação do IFMA, Rogério Teles, pela diretora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação do IFMA Campus Monte Castelo, Dea Nunes, e pelo ex-coordenador do programa, professor Valter Alves de Meneses.

O coordenador do mestrado, professor Waldemir dos Passos Martins, parabenizou o orientador Antonio Soares por conseguir coordenar os trabalhos da mestranda nos laboratórios, em tempos de pandemia.  “Foi um trabalho árduo de dois anos”, avaliou Soares. “O artigo científico já está sendo avaliado por uma revista para publicação”, informou.

“Até o final de julho todos terão defendido as suas dissertações”, afirmou o coordenador Waldemir. “A nossa meta, agora, é conquistar o doutorado”, finalizou.

Mulher, mãe e mestranda

Para Hellen, que é mãe da Tayssa de 3 anos de idade, conciliar maternidade e mestrado não é uma das tarefas mais fáceis. “Você precisa ter muito claro na sua cabeça qual o seu propósito e porque vale a pena estabelecer uma rede de apoio com marido, mãe, tias”, apontou. “Eu cheguei a perder alguns momentos em família, mas quando você começa a ver os ganhos que está tendo, sua culpa de uma certa forma diminui”, relembrou.

Em sua rotina, durante o curso, os horários foram organizados e tudo planejado. “O mestrado não tem tantas aulas como a graduação e quem planeja os dias das análises do projeto é você e o orientador, então isso facilita um pouco a jornada”, avaliou. “Com o passar do tempo a gente vai aprendendo a dividir nosso tempo e estabelecer nossas prioridades”, prosseguiu. “Conciliar tudo é complexo, mas o importante é não desistir quando surgirem os obstáculos, afinal sempre ocorrem imprevistos e priorizar minha filha sequer entrou em discussão”, assinalou.

Preconceitos e desigualdades

O percurso para se tornar mulher engenheira foi repleto de dificuldades. “Na época da minha graduação, éramos apenas 4 mulheres na turma de Engenharia Mecânica, porém, ao longo dos anos, é possível perceber uma mudança, com as mulheres entrando mais nos espaços e mostrando que somos tão capazes quanto os homens”, destacou.

“Muitas vezes me senti sozinha por estar em um espaço dominado por homens”, disse. “Já trabalhei em um local onde só havia o banheiro masculino, mas isso, de uma certa forma, me ajudou a persistir também”, afirmou. “É preciso compreender que o caminho não será fácil, mas que eu posso chegar onde eu me propuser a ir”, ressaltou.

Para Hellen, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho é uma grande barreira que precisa ser quebrada. “Embora a mulher esteja cada vez mais presente em espaços antes ocupados majoritariamente pelo sexo masculino, a discrepância entre gêneros ainda é gritante”, ponderou. “Na área acadêmica essas desigualdades também ainda persistem, até mesmo porque as mulheres ingressam na pesquisa, mas continuam respondendo pela tarefas de cuidado e domésticas em casa”, lamentou.

“Acredito que devemos batalhar para alcançar o que desejamos, a cada dia buscarmos mais o nosso espaço e reconhecimento diante das dificuldades”, disse. “Devemos continuar a luta para vencermos os preconceitos e desmerecimentos que vivemos no dia a dia”, recomendou.

As metas da garota que amava matemática, e que hoje se considera apaixonada pelo curso, é estabelecer novas perspectivas de trabalho. “É aplicar todo esse conhecimento adquirido, contribuindo de forma eficiente para o desenvolvimento da ciência e tecnologia”, pontuou a engenheira que também é empreendedora na área de calçados femininos. “Eu amo criar e sou e responsável por toda a parte de criação de modelos”, confidenciou. “Isso me ajuda a relaxar de uma certa forma”, concluiu.

Perfil

Engenheira Mecânica, com especialização em Engenharia Ferroviária e experiência nas áreas de manutenção de equipamentos ferroviários de grande porte, indicadores de confiabilidade e disponibilidade operacional (Análise de falhas, defeitos e perdas operacionais). Certificação Green Belt. Formação adicional na área de administração e gestão de pessoas. Trabalhou na Vale por mais de 5 anos.

Foi estagiária, por três meses, da Radix Engenharia e Software, no Rio de Janeiro, atuando no acompanhamento de projetos de Engenharia, preparação de book técnico, gestão da qualidade e SMS para apoio às auditorias da Petrobrás, probabilidade e estatística.

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