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Residente do HU-UFMA realiza pesquisa sobre os impactos da pandemia na saúde mental dos profissionais de UTIs

Por: Allan Potter - UFMA

“Os impactos da pandemia de coronavírus na saúde mental de profissionais que atuam em UTI: uma revisão integrativa” foi o tema da pesquisa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Fernanda de Sousa Alves da Silva, psicóloga residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão. Confira a entrevista que foi concedida à Diretoria de Comunicação (DCom) da Superintendência de Comunicação e Eventos (SCE) da UFMA, em que a pesquisadora aborda o processo de desenvolvimento da pesquisa e suas conclusões a respeito.

DCom: Como surgiu o interesse em pesquisar sobre essa temática?

Fernanda Alves – O interesse pelo tema surgiu pela urgente necessidade de identificar, compreender e refletir sobre como a pandemia de coronavírus tem afetado não somente a saúde física, mas também tem impactado na saúde mental de toda a população, especialmente dos profissionais de saúde que têm atuado diariamente na linha de frente, dentro das UTIs.

Por isso realizei uma revisão integrativa de literatura, baseada na busca e análise de estudos publicados em diversos países, sobre a temática da pandemia e dos seus impactos na saúde mental, especialmente nos profissionais de saúde que atuam na linha de frente, dentro das Unidades de Terapia Intensiva.

DCom: Quais foram as fases da pesquisa?

FA – A pesquisa foi conduzida em duas etapas, que foram a definição do tema e a identificação da questão norteadora. A primeira foi pelo interesse de abordar um tema atual e relevante diante de um contexto de pandemia, e a segunda buscou entender como a pandemia de coronavírus tem impactado na saúde mental de profissionais da linha de frente.

A coleta de dados foi realizada no mês de outubro de 2020, em bases de dados como Scielo, PubMed, Lilacs, Medline, utilizando os descritores: “Coronavírus”; “Saúde Mental”; “Profissionais de Saúde” e “Unidade de Terapia Intensiva”. Foram incluídos na pesquisa, artigos publicados em português, inglês e espanhol.

DCom – Quais foram os resultados obtidos?

FA – Os resultados da pesquisa de revisão integrativa de literatura demonstraram que profissionais de saúde que atuam na linha de frente da pandemia, especialmente dentro de UTIs, de diversos países, já apresentam níveis significativamente elevados de ansiedade, depressão, medo, distúrbios do sono, angústia e transtorno de estresse pós-traumático.

Dados alarmantes que já chegam a 70,7% de profissionais de saúde apresentando sintomas depressivos; 64,4% com sintomas de ansiedade grave; 70,6% apresentando medo; e 73,4% com estresse.

De acordo com o artigo publicado por Rodríguez, no ano de 2020 muitos profissionais podem não conseguir entrar em UTIs, ou podem não desejar continuar trabalhando ali, diante de tamanho impacto em sua saúde mental.

Ressalto que esses dados foram de pesquisas publicadas até o momento em diversos países, e que foram destacadas, visando proporcionar reflexão sobre a temática.

DCom: De que forma a saúde mental desses profissionais pode ser trabalhada em seus ambientes de trabalho?

FA – Diante da gravidade desses dados, destaca-se a importância de refletir e identificar os fatores que têm impactado negativamente na saúde mental dos profissionais de saúde.

Sugiro que as instituições de saúde proporcionem momentos e ambientes para que os profissionais compartilhem suas experiências e seus sentimentos vivenciados durante a pandemia, além de oferecer intervenções psicológicas voltadas a essa população, com o objetivo de prevenir, promover a saúde mental e reduzir os impactos negativos deste momento de pandemia, favorecendo a construção de recursos de enfrentamento positivos e duradouros, além de possibilitar a readaptação e ressignificação de demandas emocionais geradoras de sofrimento.

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